Antenas de luz

A linha reta da vida enquanto fluxo que não se esgota atua sobre o indivíduo a ponto de torná-lo um autômato. Água e alimento denso para suprir a energia de ossos e tecidos do corpo são primeira necessidade. Encaixar-se no status quo da vida em grupo e, antes, saciar as demandas de sexo e sono, completam-lhe o conjunto. Concentrada repetidamente toda energia, o movimento é sempre o mesmo: imerso na autossuficiência de existir o impulso é de respirar, andar, falar, ouvir, processar todo e qualquer estímulo que pelas antenas do corpo chegar ao reduto da mente. Como pano de fundo lá está a caixa de memórias, valioso registro do que deve ou não ser repetido. As evidências mostram, assim, o sentido de manutenção do veículo físico como a mais básica programação da qual viemos equipados. Entretanto, chega o tempo onde se percebe que o aparelho do qual se faz uso é mais sofisticado e aguenta simultaneamente programas mais avançados. É quando passamos a questionar o automatismo e a substituí-lo pelo entendimento resultante da experimentação. Parece igual, mas não é. Já não se vive apenas para o corpo e todo comportamento necessita de um sentido inteligente para se justificar. Direcionamos nossas antenas para outras frequências e bombardeamos nossos cipós neuronais com outras sinapses. Mais do que antes, agora temos antenas de luz.

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