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Torre de repetição

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Não há como fazer-se indiferente à expressão da luz, às cores que dela derivam e impregnam a retina. Quando acompanhadas de boa forma e proporção seu efeito é ainda mais contundente sobre o mecanismo sensível. Desencadeia magnetismo natural e prende o sentido. Normalmente conhecemos seu efeito de ativar os nervos óticos e impactar o cérebro, restando a este o papel de catalogar, estabelecer comparações e definir um padrão de pensamento como produto. E daí emerge sempre uma emoção equivalente. Assim, uma imagem, em frações minúsculas de tempo pode se transformar num estado vibracional pessoal. Sim; somos receptáculos de estímulos e deles decodificador. E os replicamos compulsivamente com nossas características de interpretação adicionadas. Mecânica identificada, resta-nos agora refletir por quais realidades andamos e outras quais ajudamos a construir. Nosso rastro energético pela vida.

Robalos e tanhotas

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A fome assola a iniciativa. Ler e interpretar exige combustível. Não interessa o alvo nem o universo intangível explorado: somos um tubo digestivo ambulante. A manifestação tem um alto custo de transformação de energia. É dose considerável de materiais de formatos, texturas e composições diversas. Serão sugados em compulsão. E não virão de nenhum lugar distante. Fazem parte da mesma realidade onde se manifesta o digestor inveterado; têm os mesmos matizes energéticos dele. Frequência de ondas diferentes, sim; mas, tudo carbono e, mais fundo, tudo elétron. Na visão epidérmica do corpo-tubo, porém, não há eletronótica nem física ondulatória. Há formas, cores e sons, cheiros e sabores. São códigos. Para que a vida esteja sempre se virando ao avesso.

Abelhas e gafanhotos

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Somos muitos, hoje; alguns poucos ontem; dois bocados, anteontem; e uma ameba em algum momento ainda anterior. Notória a máquina de replicar seres que geramos e da qual fizemos uso encantável e solidamente. Notável seu engenho em misturar emocionalidade e pragmatismo instintivo, combinação literalmente explosiva a deixar rastros cromossômicos por onde passa. Tão inegável como essa eficiente linha de produção instalada é o fato de que tal mecânica age em paralelo ao padrão de inteligência conquistado. Nada questionamos, usamos de cinismo e não avaliamos a ditadura reprodutiva e nem seus efeitos sobre as inter-relações existentes. Somos dogmáticos quando fizemos sexo e ativamos o portal interdimensional chamado útero. Religiosos crônicos movidos pela certeza de que alguém ou coisa maior vai um dia dizer o que fazer. Prefiro pensar que só em nossa galáxia há quatrocentos bilhões de estrelas como o sol e que o geocentrismo já morreu. Que o inteligente é dissociar sexualidade ma...

ET's são bem-vindos

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Vencemos o contexto. Fomos a fundo e achamos o pedaço de pau adequado, a pedra moldável e a tática perfeita. Nem de longe pensávamos chegar tão longe. Afinal, a caça, o coito e a cama justificavam o ar. Qualquer algo mais seria presente de ET para o tempo em que o planeta ainda nem era o centro do universo. Mas, a prática repetida virou tecnologia replicável. E sobrou tempo. Com a sobra, carinhos na prole e refinamento na tática. No esforço do refino, a concepção do mais funcional e o encontro com a beleza da forma. Por trás do processo, o esmero do pensamento; o estabelecimento das diferenças e a formulação de conceitos. Aos poucos, o tateamento das próprias formas-pensamento e o autodescobrir-se, pensante. Efeito consequente: a divinização do achado e a estatização da sobrevivência. De repente, uma ideia louca de individualidade: o específico ganhou escala e a perspectiva se reduziu. Novo deus no horizonte, sem antes e nem depois. Ficamos novamente restritos à atmosfera encubadora. P...

Elevadiços

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Homens constroem pontes. A rigor, pontes nasceram de ideias. E para tomarem corpo, também ponte entre elas foram tecidas. Só há uma forma de se fazer uma coisa distante chegar a outra: uma ponte. Um avião é uma ponte, assim como também o pensamento. A ponte está para o aprender assim como os pontos ligados estão para ela. A ponte está na palavra e também no silêncio. O silêncio é uma ponte de sons inaudíveis; a telepatia usa a ponte do intervalo entre as palavras. E as pontes interdimensionais? São muitas à disposição do transeunte ávido por novas paragens. Uma delas é sentir-se livre para pensar que existem pontes para tudo e que as construimos sempre. Por puro senso de apropriação da liberdade, essa ponte entre a mudez inerte e a eloquência das ideias.

Mensagens do sul

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É como se tudo estivesse preparado. O balé rasante e louco das andorinhas anima a revelação: o tempo vai mudar; hora de fechar as janelas, colocar lenha em casa e colher as roupas do varal. Bastou um ir e vir e tudo já era outro. Todas as coisas decidiram se deslocar muito rápido para o norte, como se o planeta houvesse inclinado. Mais do que ar e água em movimento, parece que a Terra tomou um rumo diferente em sua odisseia pelo espaço. Mas, no mundo da atmosfera, útero da vida sem parada e dela estufa permanente, muitas interpretações serão possíveis. Hora da chuva e do tempo nublado; trovões e relâmpagos em plena janela; é praia que afunda e água quente e translúcida. Tenho comigo assim quando isso acontece: - 'C hegou nosso amigo do polo e suas mensagens patagônicas '.

O impulso

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Estão chegando. Dar de ombros às incertezas, por-se ao mar e ir a fundo, a contumaz forma de agir. Mas qual sentido em risco certo? No que morrer pode ajudar? As imagens têm os seus duplos e não há como fugir. Em mero instante o pensamento plasma de agora o que seria. Mas nem o fim aqui se acerca, pois não há fim ao sem começo. O existir jaz infinito e de ida e volta é a viagem. Abreviar o almejado é um sem sentido, uma impulsão. Todo fim aparente está repleto de continuísmos e de pedaços do que já houve. Quão paciente sou com o infantilismo que me preenche? Cresço agora um pouco mais, então. Toda prisão possui janelas.