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Itinerário outro

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Lá vai o homem em seu impulso atávico de experimentação. Num cilindro de lata com pequenas escotilhas que não abrem, corta o espaço atmosférico de sua especial casa, hoje já com escotilhas permanentes à luz integral do sol. Brincando em seu parque esférico, ensaia ele o sair mais definitivo para lugares outros, onde o inóspito possa ser domado. Se reina hoje soberano sobre as espécies da superfície, quão eficaz poderá ser na dominação de ambientes gasosos e de genealogia diversa? Melhor do que tenha feito até então na estrada pessoal de dois milhões de anos, talvez. O equilíbrio entre a luta instintiva da sobrevivência e a aplicação da inteligência alcançada como espécie parece residir aí. Nenhum modelo de desenvolvimento indiferente à responsabilidade coletiva implícita é justificável. Qualquer ação experimental precisa levar consigo um selo de cosmoética e universalidade. Portanto, ao homem voador de hoje, rei do expansionismo inconsequente, as viagens na psicosfera da autoconscienci...

La misma vivienda

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Seres autóctonos bajo el sol y un individuo de especie exótica se acerca al paisaje local. Viene éste desde el otro lado del continente, de la costa de otro océano. Trae en sus manos objeto a través del cual mira las cosas en todas las direcciones. Los nativos, pareciendo ajenos a todo, paran en una piedra de la ruta que hacen todas las tardes a la misma hora. Por supuesto el destino final donde pasarán la noche que se avecina es su programación ahorita. Para el forastero, no: está sumergido en otras sensaciones por estar exactamente allí, mirándolos con el sol al fondo. Siente una mezcla de libertad con adaptación instantánea al ambiente, además de intenso bienestar por lo que está compartiendo. Sí. Sabe él que ese mismo mar habla con lo suyo y que los pájaros migran por los territorios. Que las fronteras de los países son meras convenciones humanas y, olvidados o no, somos todos nosotros autóctonos del planeta. La vieja estrella conocida comprueba eso mientras dibuja de oro la luz de...

Intenso diálogo

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O encontro do mar e a terra é sempre especial. É fronteira onde cada um é seduzido a adentrar nos limites do outro. Como seres da superfície, movimentamos a costa e observamos o oceano pelas ondas. Os ventos unem os dois mundos, pois não há barreira a dividi-los. As ondas expressam os ventos e também a vontade temperamental do mundo balançante. Iludimo-nos de que a terra é tão mais firme. Jogam os dois o jogo do equilíbrio permanente, das mensagens passageiras e definitivas. Ambos se respeitam e, por consenso, se permitem invadir. A terra prepotente lança ao mar sua produção civilizatória. O mar regurgita à terra tudo o que não é seu e o faz com inocência e vigor. Como seres da crosta, movimentamos a superfície e dela tudo sabemos. Do mar pouco conhecemos. Tão útil seria ter-se o corpo anfíbio. Poder-se-ia construir cidades lá dentro e, assim, entender melhor o conjunto.

Sol asséptico

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Construiu-se o sol. Construímos as casas. Dentro delas depositamos pensamentos e emoções enquanto humanos. O mesmo sol bombeou luz para o corpo que tivemos; e o alimentou. Na mente do corpo elaboramos conceitos sobre o sol. Também sobre o desenho de casas. Pintamos elas para que o sol pudesse falar. Mas, sempre há um canto escuro, nelas, onde o sol não entra. Nem o sol-estrela, nem o sol-lucidez. E o pensado se deposita e se recusa a sair de lá. Acontece também com o que se sentiu. Novas pessoas no ambiente sem sol, velhos pensamentos se perpetuam. O que é incrustado não evolui. Melhor seria entendermos o sol como diferente a cada dia. E permitirmos que velhas casas deem lugar a novos pensamentos. O sol pode ser velho. O que pensamos, tem de andar.

Mundo pendido

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Quando ele chega muitos elementos o denunciam. O dia se inclina para o lado; vozes são emitidas mais altas; roupas secam mais rápido. É como se tudo se tornasse definitivo. Como se o mundo sempre tivesse sido assim. Ao hospedar-se por dias, reina absoluto e se implanta na pauta das pessoas. Passa a ser elemento de conexão entre elas: entre o exercitar-se vivo de um e o lamento-ladainha de outro. Faz-se pano de fundo para a vida e a crônica diária do lugar. Inabalável e dominador, por fim, leva muitos ao limite de sua própria aceitação. Mas, um dia o verdugo se vai. Com ele, as pressões que exerceu na fronte das pessoas. Na paisagem da orla, apenas suas pegadas no formato das dunas. É um mensageiro. Do lamento, talvez. De impressões e coisas, certamente. Alguém mais ao sul sabe o que pensamos.

O avesso da visão

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Trabalhamos no agora com o sentido principal desenvolvido através dos milênios. Acontece algo, entretanto, que submete nossa visão ao escárnio: o olho humano possui atributos técnicos que o faz, em parceria da mente, processar dados e gerar resultantes sempre da mesma maneira. E se o que vemos é apenas o resultado de uma forma cerebral de trabalhar os estímulos de luz, quantas realidades outras existem para os mesmos impulsos traduzidos por diferentes receptores? Não se trata aqui de interpretação psicocultural da realidade. Fala-se daquilo que ocupa lugar no espaço e na própria definição deste. Ou daquilo que se espacializa, não necessariamente, e apenas, como admitimos que o faça. Conceber realidades outras além daquela denunciada pela visão humana ultrapassa as enfadonhas ferramentas-preceitos de mística e religiosidade. Sim. Flexibiliza a interpretação do universo próximo e sugere sentidos outros à fisicalidade do ser.

El espacio como casa

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Cuánto placer hay en descubrirse nuevos caminos! Romper espacios diferentes y lanzarse a territorios desconocidos es algo útil y saludable. En ellos, una piedra o un pequeño árbol ganan una dimensión de importancia diferente en la atención. Los colores hacen dúo con las formas y la percepción personal se hace impactada con la escala de las cosas. Con lo que comunica el ambiente, el pensamiento se ve forzado a abrir los cajones de conceptos ya adormecidos por la rutina y someterlos a nuevas elaboraciones mentales. Y se puede nunca más ser lo mismo. El nivel de interacción puede cambiar claves de la estructura del comportamiento del sujeto, dislocar sus puntos de referencia. Algo comprendido como definitivo puede relativizarse adelante de algo nuevo al universo personal. Sí: una piedra o una montaña, un árbol o su inexistencia pueden hablar tanto de nosotros que, por instantes, nos quedamos indefensos a las designaciones del tiempo. En estos momentos, exactamente en este punto, normalmen...